Quinta, 10 Maio 2018

Desaparecidos no Rio: 20% dos casos registrados terminam em morte

RIO - Nos últimos cinco anos, 20% das ocorrências de desaparecimento registradas em delegacias do Rio terminaram em óbitos comprovados pela polícia. O dado é do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) do Ministério Público estadual. O levantamento não inclui o caso da estudante de artes da Uerj Matheusa Passarelli, que estava sendo procurada pela família e por amigos desde o último dia 29. Sua morte foi confirmada nesta segunda-feira pela polícia.

Segundo a pesquisa, o retorno voluntário do desaparecido para casa ocorre em 26% dos casos. Matheusa, no entanto, não teve chance de voltar. A estudante, que se identificava como uma pessoa de gênero não-binário (nem masculino, nem feminino), teria sido capturada por bandidos do Morro do Dezoito, em Água Santa, e submetida a um tribunal do tráfico. Condenada pelos bandidos, ela foi executada e teve, de acordo com testemunhas, o corpo incinerado.

Matheusa chegou à comunidade durante a madrugada, falando frases desconexas e sem roupa. Ela desapareceu após sair de uma festa no bairro do Encantado. A estudante, dizem testemunhas, estava transtornada. Matheusa teria caminhado por quase dois quilômetros, até chegar à favela.

Amigos da estudante, que tinha 21 anos, vão realizar nesta quarta-feira, às 18h, um ato na Capela da Uerj em sua homenagem. O “Viva Theusinha” foi organizado por alunos da universidade e pelo irmão da vítima, Gabriel Passarelli, conhecido por Gabe. A ideia é fazer uma reação pacífica ao crime, investigado pela Delegacia de Paradeiros.

Os organizadores pedem que os participantes levem mudas de plantas e usem roupas coloridas, já que a irreverência era uma das características de Matheusa, que trabalhava num projeto de arte chamado “Corpo estranho”. Nas redes sociais, amigos lamentaram ontem a confirmação da morte da estudante.

Fonte: O Globo

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