Quinta, 08 Março 2018

Polícia Civil investiga esquema de venda de bebês pela internet

Uma quadrilha nacional de tráfico de crianças pode estar por trás da tentativa de vender um bebê pela internet, que foi descoberta, na noite dessa terça-feira (6), em uma maternidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A ação foi frustrada porque a mãe biológica da criança, uma mulher de 24 anos, decidiu não entregar o filho.

Segundo o delegado regional de Contagem, Christiano Xavier, a suspeita é a de que cada criança era negociada por valores R$ 15 mil a R$ 20 mil. Além da mãe biológica, outras quatro pessoas foram presas, entre elas dois casais que vieram do Rio de Janeiro para pegar a criança. “As evidências já apontam que existe uma organização forte por trás, que muitas crianças já foram vendidas, e outras estão prestes a ser entregues a esse grupo”, detalhou o delegado.

Em depoimento à Polícia Civil, a mãe contou ao delegado que é natural de Coração de Jesus, no Norte de Minas, e que ficou grávida, porém o namorado não aceitou a gestação e exigiu o aborto. Decidida a não interromper a gravidez, mas esconder a situação da família, a moça se mudou para Belo Horizonte. “Ela decidiu esconder a gravidez da mãe e de toda a família e veio para Belo Horizonte. Ela estava trabalhando em uma padaria de Contagem havia dois meses e meio. Como ela era muito gordinha, a mãe não desconfiou de que estava com cinco meses de gravidez”, contou o delegado.

Negociação. Ainda conforme as primeiras apurações, a jovem não pretendia vender o filho. Ela conheceu a suspeita, que morava no Rio de Janeiro, em uma página do Facebook. Apontada como a cabeça do grupo, a suspeita teria dito à mãe que tinha a intenção de adotar o menino.

As duas passaram, então, a conversar pelo WhatsApp. A suspeita teria passado a cobrir algumas despesas da moça com pré-natal, medicamentos e vitaminas. “Ao longo desses quatro meses, os gastos teriam girado entre R$ 800 e R$ 1.000 em pequenos depósitos”, disse Xavier. Com a proximidade do parto, a suspeita viajou até Contagem com outras três pessoas. Mas, logo após o nascimento da criança, a moça desistiu da doação e chamou a psicóloga e assistente social da unidade de saúde, quando contou o que estava acontecendo. Em seguida, a Polícia Militar (PM) foi acionada.

A suspeita dos investigadores é que o bebê seria registrado pelo casal que acompanhou a suspeita até Contagem. “O rapaz informaria no cartório que veio passear na região, e a mulher teve o filho fora da hora. A criança já ia sair de Minas com o nome dos ‘pais’ que estavam comercializando”, explicou o delegado.

Segundo Xavier, as versões dos suspeitos são muito contraditórias, e será preciso mais tempo de investigação para conseguir desvendar o esquema e saber se há outros envolvidos. (Com Pedro Ferreira)

Detidos. Entre os cinco presos pela Polícia Militar estão a mãe biológica da criança, o casal apontado como mentor do esquema pela internet e outro casal que ficaria com a criança.

MINIENTREVISTA
Suspeito detido

O que vocês iriam fazer com a criança?

Iríamos sair do hospital com a criança e com a guia amarela. Levaríamos nossa identidade e nosso CPF para tirar a certidão de nascimento em nosso nome. Não sei quantas crianças (suspeita) já vendeu, mas acho que são várias.

Como o senhor e sua mulher conheceram a suspeita?

Minha esposa a conheceu em um grupo (de Facebook, WhatsApp). Nesse grupo, como se o anúncio fosse dela, ela me prometeu pagar as despesas de gasolina. Se o bebê fosse menina, ela iria vender; se fosse menino, nós ficaríamos com a criança. Eu já iria descer (para Rio das Ostras, no Rio de Janeiro) com a criança registrada. Não iria voltar sem documento.

O senhor e sua mulher têm filhos?

Tenho quatro filhos. São dois meus, do primeiro casamento, e dois do primeiro casamento dela. Eu me sinto arrependido.

O senhor sabe de outros casos?

Tem uma menina que está para “sair” esses dias. Acredito que já está vendida.

Como vocês descobririam que a mãe desistiu da doação?

Ela (mãe biológica) mandou um WhatsApp para a (suspeita falando que não ia mais dar a criança. (Suspeita) ficou revoltada.

Fonte: O Tempo

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