Sexta, 12 Janeiro 2018

Pessoas desaparecidas

Segundo dados da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), 853 pessoas foram dadas como desaparecidas em todo o Estado de Mato Grosso durante o ano passado, com um aumento em torno de 20% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 711 casos.

Uma média de 2,3 pessoas por dia. Para muito, este número não espelha a realidade. Acontece que muitas pessoas que registram queixas de desaparecidos acabam não dando o retorno, informando se a pessoa foi ou não encontrada.

E esta falta de controle tem prejudicado até o trabalho da polícia, que fica com receio de divulgar cartazes, e até via Internet, de fotos e informações sobre um possível desaparecimento. Mesmo assim, em se tratando de crianças a Diretoria de Polícia Civil de Mato Grosso continua trabalhando firme.

Segundo dados divulgados recentemente pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a maioria dos desaparecidos no Brasil é do sexo masculino e com idade entre 12 e 25 anos.

Para o MNDH e a própria polícia, este número de desaparecidos pode ser bem superior, já que por não contar com um serviço específico às famílias de pessoas desaparecidas muitas vezes não prestaram queixas.

O desaparecimento de pessoas no Brasil é muito complexo, e está ligado a sequestro de crianças para adoção ilegal, homicídio, perda de memória, incompatibilidade com os pais e, o mais comum, o simples abandono do lar. Muitos pais de família saíram de casa pela manhã para comprar pão e nunca mais deram notícias. Muitos já morreram, mas por falta de comunicação e até identificação, continuam na lista dos desaparecidos.

Outro fator que também tem prejudicado as pessoas que buscam a polícia para prestar queixa do desaparecimento de um ente querido, é o fato dela só começar a agir 24 horas depois de informada. Ao procurar a polícia, a resposta é sempre a mesma: "Volte amanhã. Talvez tenha saído para dar uma volta sem avisar". Caso não haja indícios de homicídio ou sequestro, a polícia não vê porque apurar. Desaparecimento não é considerado crime.

 

Fonte: Diário de Cuiabá

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